
Notou então, com uma excitação crescente, que havia escavações mais profundas nas extremidades dos raios, perfeitamente torneadas de modo a receber dedos (garras? tentáculos?). Se uma pessoa se colocasse assim, apoiando-se contra a parede, e puxasse o raio assim…
Macia como seda, a roda deslizou para fora da parede. Com inexprimível assombro — pois estava virtualmente convencido de que quaisquer partes móveis teriam sido soldadas pelo vácuo há muitos séculos — Norton viu-se de repente com uma roda de malaguetas nas mãos. Era como se fosse o capitão de algum velho navio a vela, manejando o leme do seu barco.
Ainda bem que o pára-sol do seu capacete não permitia que Mercer lhe observasse a expressão…
Estava surpreendido, mas também sentia raiva de si mesmo; talvez já houvesse cometido o primeiro erro. Estariam soando agora sinais de alarma no interior de Rama, ou o seu ato irrefletido fizera disparar algum mecanismo implacável?
Mas a Endeavour não comunicou nenhuma alteração; os seus sensores ainda nada detectavam além de leves crepitações térmicas e dos movimentos do próprio comandante.
— Bem, Capitão… Vai girar a roda?
Norton pensou mais uma vez nas instruções recebidas. «Siga o seu alvitre, mas proceda com cautela.» Se consultasse o Controle da Missão sobre cada um de seus movimentos, nunca chegaria a parte alguma.
— Qual é o seu diagnóstico, Karl? — perguntou a Mercer.
— Trata-se, evidentemente, do controle manual de uma eclusa de ar… com certeza um sistema auxiliar de emergência para os casos de falha de força. Não posso imaginar nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, que não tome tais precauções.
