Seiscentas mil pessoas perderam a vida e os danos totais montaram a mais de um trilhão de dólares. Não havia, contudo, quem pudesse avaliar a perda para a arte, a história — para a raça humana inteira, até o fim dos tempos. Foi como se uma grande guerra houvesse sido travada e perdida no espaço de uma só manhã; e foram poucos os que sentiram algum prazer em contemplar, durante os meses em que a poeira da destruição continuou pairando no ar, os mais esplêndidos nasceres e pores-do-sol desde a erupção do Cracatoa.

Após o choque inicial, a humanidade reagiu com uma resolução e uma unidade que teriam sido impossíveis em qualquer época anterior. Compreendeu-se que um desastre das mesmas proporções talvez não tornasse a ocorrer dentro de mil anos — mas também podia acontecer no dia seguinte; e na próxima vez as conseqüências podiam ser ainda piores.

Pois muito bem; não haveria uma próxima vez.

Cem anos atrás, um mundo mais pobre, com recursos incomparavelmente mais fracos, havia malbaratado a sua riqueza procurando destruir armas que a humanidade, na sua loucura suicida, lançava contra si mesma. O esforço jamais lograra êxito, mas as habilidades adquiridas graças e ele não foram esquecidas. Agora se podia usá-las para um fim mais nobre e num campo infinitamente mais vasto. A nenhum meteorito suficientemente grande para causar uma catástrofe se tornaria jamais a permitir que rompesse as defesas da Terra.

Foi assim que nasceu o Projeto SPACEGUARD, Guarda Espacial. Cinqüenta anos depois — e de um modo que nenhum de seus ideadores poderia ter previsto — ele justificou a sua existência.



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