— Vou-me embora, é certo. Mas creio que aqui vocês não correm nenhum risco.

Entretanto, nada direi, para evitar qualquer incidente. Nesta época é muito raro passar alguém neste local. Se me permitirem, voltarei de noite.

Parti, cambaleando, sob a chuva. Chapinhando nas zonas arbustosas do bosque, com o rosto fustigado pelos arbustos molhados, pensava na minha incrível aventura.

Tinha tomado uma decisão: voltaria quando fosse noite.

Encontrei o meu automóvel e dirigi-me para a aldeia. A minha velha criada deu altos gritos quando me viu: eu tinha um profundo corte no couro cabeludo, os cabelos empastados de sangue coagulado. Contei uma vaga história do acidente, arranjei-me, fiz a minha toalete e almocei com bom apetite. O dia parecia-me terrivelmente longo, e ao crepúsculo preparei o meu automóvel. Aguardei a noite cerrada para escapar, indo por caminhos escusos.

Arrumei o automóvel dentro do bosque, pois não queria despertar a atenção deixando-o na estrada. Depois meti-me ao caminho, por entre as árvores, em direção da clareira do Magnou. Quando já estava longe da estrada acendi a lanterna elétrica, evitando assim picar-me nos espinhos. Cheguei sem novidade nas proximidades da clareira. Dela emanava uma claridade esverdeada, muito fraca, semelhante a de um mostrador de relógio luminoso. Dei ainda alguns passos, mas tropecei numa raiz e caí, fazendo um grande ruído. Então, agitando-se, os arbustos e a vegetação rasteira inclinaram-se para mim, e quando me ergui senti uma absoluta incapacidade de avançar.

Nada havia que me desse a impressão de existir uma parede. Nada disso.

Simplesmente, a partir de um certo limite, assinalado por um círculo de vegetação inclinada para o exterior, o ar parecia viscoso, e depois tomou-se rapidamente compacto, sem que, no entanto, o limite fosse discernível ou invariável.



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