
Quando voltei a mim não murmurei o clássico «onde estou?». Tinha uma lancinante dor na cabeça, zumbido nos ouvidos, e durante uns minutos receei ter fraturado o crânio. Felizmente, isso não aconteceu. O meu relógio marcava 1 hora da manhã, a noite estava negra como breu e o vento soprava, fazendo gemer as árvores. Depois, por cima da clareira, a Lua iluminou uma nuvem negra, rodeando-a de um feérico círculo luminoso.
Sentei-me, procurando a espingarda, que, por sorte, tinha descarregado antes da queda. Tateei na relva úmida e na vegetação apodrecida antes de a encontrar. Me servindo dela como de um bordão, ergui-me lentamente, com o rosto voltado para a clareira. Na medida em que me levantava, o meu campo visual aumentava, e foi então que vi a coisa.
A princípio pareceu-me uma massa escura, uma espécie de zimbório erguendo-se acima da vegetação, uma massa indistinta na fraca claridade. Depois a Lua apareceu por um instante entre as nuvens e entrevi, no espaço de um relâmpago, uma carapaça arredondada, brilhando como metal.
