
Os aldeões corriam dispersos, a maioria mantendo-se bem à frente porque conheciam o terreno. Mas alguns, rapazes ou homens mais velhos, eram lentos. Os kargs que tropeçavam neles golpeavam às cegas com as lanças e as espadas, lançando o seu grito de guerra, os nomes dos Irmãos-Deuses Brancos do deus de Atuan:
— Ualuáh! Atuáh!
Alguns do bando pararam ao sentir o terreno tornar-se mais irregular debaixo dos pés, mas os outros prosseguiram caminho, buscando a aldeia fantasma, perseguindo formas imprecisas e vacilantes que se escapavam em frente deles, quase ao seu alcance. Toda a bruma parecera tomar vida com aquelas formas fugidias, que se esquivavam, tremeluziam e se desvaneciam por todos os lados. Um grupo dos kargs perseguiu aqueles fantasmas direto à Cascata Grande, a orla do penhasco sobranceiro às nascentes do Ar, e as formas que perseguiam correram pelo ar e ali se desvaneceram onde o nevoeiro se dissipava, enquanto os perseguidores caíam, gritando através da bruma e da súbita luz do Sol, uma queda de trinta metros a pique sobre os charcos pouco profundos entre as rochas. E aqueles que vinham mais atrás e não caíram pararam à beira do penhasco, escutando.
