
— Sim! Ensina-me esse nome! — pediu ele, ultrapassado já o susto que tivera com as cabras e todo inchado pelo modo como a tia lhe gabara a esperteza.
A bruxa disse:
— Se eu te ensinar essa palavra, nunca a poderás dizer às outras crianças.
— Prometo.
Ela sorriu perante a ignorante prontidão do moço.
— Está muito bem. Mas vou ligar-te à tua promessa. A tua língua ficará paralisada até que eu decida libertá-la, e mesmo então, embora possas falar, não conseguirás dizer a palavra que eu te ensinar onde qualquer outra pessoa possa ouvi-la. Temos de guardar os segredos da nossa arte.
— Ótimo — respondeu o rapaz, porque não tinha desejo algum de ir contar o segredo aos seus companheiros de brincadeiras, gostando como gostava de saber e fazer o que eles não sabiam e não conseguiam fazer.
Deixou-se estar muito quieto, enquanto a tia atava na nuca os cabelos despenteados e apertava o cinto do vestido, voltando a sentar-se com as pernas cruzadas e deitando mãos-cheias de folhas no lume, até que um fumo denso se espalhou e encheu a escuridão da cabana. Ela começou a cantar. A voz mudava, por vezes, tornando-se ora mais aguda, ora mais grave, como se houvesse outra voz a cantar através dela, e o canto foi prosseguindo, prosseguindo, até que o rapaz já não sabia se estava acordado ou a dormir. Durante todo aquele tempo, o velho cão preto da bruxa, que nunca ladrava, permaneceu sentado junto dele, os olhos vermelhos do fumo. E então a bruxa falou a Duny numa língua que ele não entendia e obrigou-o a repetir com ela certas rimas e palavras, até que a encantamento se apoderou dele e o manteve imóvel.
— Fala! — ordenou ela para testar o feitiço.
O rapaz não conseguiu falar, mas riu-se.
E então a tia sentiu algum medo da força do rapaz, porque aquela era um encantamento dos mais fortes que ela sabia usar. Tentara não só obter controle sobre a fala e o silêncio do rapaz, como ainda sujeitá-lo ao seu serviço nas artes da bruxaria. E, no entanto, mesmo quando a encantamento o subjugou, ele rira. A bruxa nada disse. Deitou água limpa sobre o fogo até que o fumo se dissipou e deu água a beber ao rapaz. Depois, quando o ar ficou limpo e Duny pôde voltar a falar, ensinou-lhe o nome verdadeiro do falcão, aquele que obriga a ave a responder ao chamado.
