Ele, Harlan, tinha passado por tudo isso bastante habilmente. com êxito, poderia ele dizer.

Podia lembrar-se, tão claramente, o momento em que terminaram o Aprendizado, o momento em que se tornaram membros independentes da Eternidade, o momento em que, embora não Especializados, receberam o título legal de “Eternos”.

Podia lembrá-lo. Escola completa, Aprendizado terminado, ele estava em pé com os cinco que com ele completaram o treinamento, com as mãos enganchadas na cintura, as pernas um pouquinho separadas, os olhos voltados para a frente, ouvindo.

O Educador Yarrow estava em uma escrivaninha, falando-lhes. Harlan conseguia lembrar-se bem de Yarrow: um homenzinho intenso, de rubros cabelos desgrenhados, antebraços sardentos e uma expressão de perda nos olhos. (Não era incomum essa expressão de perda nos olhos de um Eterno… a perda do lar e de suas raízes, a inadmitida e inadmissível saudade do século que ele nunca poderia ver.)

Harlan não podia se lembrar das palavras exatas de Yarrow, naturalmente, mas sua essência continuava nítida.

Em substância, Yarrow dissera: — Vocês serão Observadores, agora. Não é uma posição altamente considerada. Os Especialistas a vêem como uma tarefa de criança. Pode ser que vocês, Eternos (ele fez uma pausa deliberada após esta palavra, para dar a cada homem a oportunidade de endireitar o corpo e animar-se diante de tal glória), também pensem assim. Se pensam, vocês são tolos que não merecem ser Observadores.

— Os Computadores não teriam Computação para fazer, os Esboçadores de Vida não teriam vindas para Esboçar, os Sociólogos não teriam sociedades para perfilar, nenhum dos Especialistas teria qualquer coisa para fazer, se não fosse pelo Observador. Sei que já lhes foi dito isso antes, mas quero que estejam bem firmes e claros em suas mentes quanto a isso.

— Serão vocês, jovens, que sairão no Tempo, sob as mais estrênuas condições, para trazer fatos. Fatos frios e objetivos, e não coloridos por suas próprias opiniões e preferências, vocês entendem. Fatos suficientemente precisos para alimentar as máquinas de Computação. Fatos suficientemente definidos para fazer com que as equações sociais se provem satisfatórias. Fatos honestos o bastante para formar-se uma base para Mudanças de Realidade.



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