
Harlan ficou a princípio confuso e depois ansioso. Certamente estas vivas inaplicabilidades deviam estar escondendo algo.
Ele sentiu sua garganta um pouco apertada. — Posso perguntar por que me procurou, senhor? — disse ele.
— Gosto de seus relatórios, rapaz.
Houve um vislumbre de alegria disfarçado nos olhos de Harlan, mas ele não sorriu. — Obrigado, senhor.
— Têm um toque artístico. Você é intuitivo. Você sente intensamente. Creio que conheço sua posição adequada na Eternidade e vim oferecê-la a você.
Não posso crer, pensou Harlan.
Ele conteve todo o triunfo de sua voz. — É uma grande honra, senhor — disse.
Então o Computador Sênior Twissell, tendo chegado ao fim de seu cigarro, produziu outro na mão esquerda por alguma proeza de prestidigitação e acendeu-o. — Pelo amor do Tempo, rapaz — disse ele entre baforadas — você fala como se recitando versos. Grande honra, bah! Besteira. Bobagem. Diga o que sente em linguagem clara.
Você está satisfeito, hein?
— Sim, senhor — respondeu Harlan cautelosamente.
— Está bem. Você deve estar, Gostaria de ser um Técnico?
— Um Técnico! — exclamou Harlan, pulando da cadeira.
— Sente-se, sente-se. Você parece surpreso.
— Não tinha esperado ser um Técnico, Computador Twissell.
