Dou-lhe esta sugestão para o caso de algum dia você se tornar um fumante. É tudo muito ruim. Na semana passada, fiquei parado no século 123 durante dois dias. Nada de fumo. Quero dizer, nem mesmo no Setor da Eternidade destinado ao século 123. Os Eternos de lá absorveram os costumes. Se eu tivesse acendido um cigarro, teria sido como a queda do céu. Às vezes acho que gostaria de calcular uma grande Mudança de Realidade e eliminar todos os tabus contra o fumo em todos os séculos, fora o que qualquer Mudança de Realidade como essa faria pelas guerras do século 58 ou por uma sociedade de escravos do século 1000. Sempre alguma coisa.

Harlan ficou a princípio confuso e depois ansioso. Certamente estas vivas inaplicabilidades deviam estar escondendo algo.

Ele sentiu sua garganta um pouco apertada. — Posso perguntar por que me procurou, senhor? — disse ele.

— Gosto de seus relatórios, rapaz.

Houve um vislumbre de alegria disfarçado nos olhos de Harlan, mas ele não sorriu. — Obrigado, senhor.

— Têm um toque artístico. Você é intuitivo. Você sente intensamente. Creio que conheço sua posição adequada na Eternidade e vim oferecê-la a você.

Não posso crer, pensou Harlan.

Ele conteve todo o triunfo de sua voz. — É uma grande honra, senhor — disse.

Então o Computador Sênior Twissell, tendo chegado ao fim de seu cigarro, produziu outro na mão esquerda por alguma proeza de prestidigitação e acendeu-o. — Pelo amor do Tempo, rapaz — disse ele entre baforadas — você fala como se recitando versos. Grande honra, bah! Besteira. Bobagem. Diga o que sente em linguagem clara.

Você está satisfeito, hein?

— Sim, senhor — respondeu Harlan cautelosamente.

— Está bem. Você deve estar, Gostaria de ser um Técnico?

— Um Técnico! — exclamou Harlan, pulando da cadeira.

— Sente-se, sente-se. Você parece surpreso.

— Não tinha esperado ser um Técnico, Computador Twissell.



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