
— Sim, Rikki, eu escutei a entrevista de vocês. Que achou do Sr. Wainwright?
— É um homem honesto, mas muitos dos que o apoiam não o são. Que vamos fazer com ele? A liga em si não é perigosa, mas alguns dos extremistas que fazem parte dela advogam abertamente a violência. Estive pensando se não seria boa idéia colocar um guarda à porta de minha casa, embora espere que isso não seja necessário.
Karellen fingiu não ouvir, reação irritante que ele às vezes tinha.
— Faz um mês que os detalhes da Federação Mundial são do conhecimento geral. Houve algum aumento substancial nos sete por cento que são contra, ou nos doze por cento que «não sabem»?
— Ainda não. Mas isso não tem importância: o que me preocupa é o sentimento generalizado, mesmo entre seus simpatizantes, de que todo esse segredo deve chegar ao fim.
O suspiro de Karellen foi tecnicamente perfeito, embora lhe faltasse convicção.
— Também pensa assim, não?
A pergunta era tão retórica, que Stormgren não se deu ao trabalho de responder.
— Gostaria de saber se realmente se dá conta — continuou ele — da dificuldade que esse estado de coisas traz à minha missão.
— E à minha também — replicou Karellen, algo irritado. — Gostaria que as pessoas deixassem de pensar em mim como um ditador e se lembrassem de que sou apenas um funcionário, tentando administrar uma política colonial em cuja formação não tive voz ativa.
Uma insinuante descrição, pensou Stormgren, imaginando até que ponto seria verdadeira.
— Não pode ao menos dar-nos alguma razão para nunca aparecer? Nós não entendemos, irrita-nos e dá origem a mil e um boatos.
