
Embora fosse a maior de todas, a Liga da Liberdade era apenas uma das organizações que se opunham a Karellen e, conseqüentemente, aos humanos que cooperavam com os Senhores Supremos. As objeções e políticas desses grupos variavam muito: alguns baseavam-se num ponto de vista político, enquanto outros expressavam simplesmente um sentimento de inferioridade. Sentiam-se, com toda a razão, mais ou menos como um indiano culto do século XIX deveria ter se sentido, ao contemplar o raj britânico. Os invasores tinham trazido paz e prosperidade à Terra — mas quem poderia dizer qual seria o preço a pagar? A história estava longe de ser tranqüilizadora: até mesmo os mais pacíficos contatos entre as raças de níveis culturais muito diferentes tinham freqüentemente resultado na destruição da sociedade mais atrasada. As nações, como os indivíduos, podiam perder seu espírito de luta, quando confrontadas por um desafio ao qual não podiam corresponder. E a civilização dos Senhores Supremos, embora envolta em mistério, era o maior desafio que o homem já enfrentara.
A máquina fac-símile na sala ao lado emitiu um débil «clique», ao ejetar o sumário enviado, de hora em hora, pela Central de Notícias. Stormgren entrou e passou, meio desanimado, os olhos pelas folhas. No outro lado do mundo, a Liga da Liberdade inspirara uma manchete não muito original. O homem É governado por monstros? perguntava o jornal, e prosseguia: «Falando num encontro realizado hoje em Madras, o Dr. C. V. Krishnan, presidente da Divisão Oriental da Liga da Liberdade, disse o seguinte: 'A explicação para o comportamento dos Senhores Supremos é muito simples. O seu aspecto físico é tão estranho e repulsivo, que eles não ousam mostrar-se à humanidade. Desafio o supervisor a negar o que afirmo' ».
