
Virou-se para a luz.
— Onde estou? — perguntou indignado. — Wain-wright sabe disso?
— Não fique nervoso — respondeu a pessoa a sua frente. — Não vamos falar já dessas coisas. Imagino que esteja com muita fome. Vista-se e venha jantar.
O facho de luz deslizou pelo quarto e, pela primeira vez, Stormgren pôde fazer idéia das suas dimensões. Mal se podia dizer que fosse um quarto, pois as paredes pareciam abertas na rocha viva, se bem que tivessem sido desbastadas. Compreendeu que estava debaixo da terra, talvez a uma grande profundidade. E, se estivera inconsciente durante vários dias, podia encontrar-se em qualquer lugar do planeta.
A lanterna elétrica iluminou uma pilha de roupas, dobradas sobre uma mala de viagem.
— Deve chegar — disse a voz vinda do escuro. — Lavar roupa aqui é um problema, de modo que pegamos dois ternos seus e meia dúzia de camisas.
— Quanta consideração! — comentou Stormgren, sarcástico.
— Pedimos desculpas pela ausência de móveis e de luz elétrica. Este lugar é conveniente sob certos aspectos, mas não tem nenhum conforto.
— Conveniente para quê? — perguntou Stormgren, vestindo uma camisa. O contato do pano, seu velho conhecido, tranqüilizou-o surpreendentemente.
— Apenas conveniente — retrucou a voz. — E, a propósito, já que provavelmente vamos passar bastante tempo juntos, pode me chamar de Joe.
— Apesar da sua nacionalidade — replicou Stormgren —, porque você é polonês, não é? acho que seria capaz de pronunciar seu verdadeiro nome. Não pode ser pior do que muitos nomes finlandeses.
Fez-se uma breve pausa e a luz tremulou por um momento.
— Bem, eu devia ter esperado isso mesmo — disse Joe, em tom resignado. — O senhor deve ter muita experiência nesse tipo de coisa.
