
Enquanto comia, olhou de relance para os três homens. Joe era, de longe, o que mais se destacava, e não só pelo tamanho. Via-se que os outros dois eram seus assistentes — indivíduos comuns, cujas origens Stormgren descobriria quando os ouvisse falar.
Tinham servido um pouco de vinho num copo não muito limpo e Stormgren bebeu-o para ajudar a descer o último sanduíche. Sentindo-se mais dono da situação, virou-se para o enorme polonês.
— Bem — disse ele —, que tal me explicar o que quer dizer tudo isso e que esperam conseguir?
Joe pigarreou.
— Gostaria de esclarecer uma coisa — falou. — Isso nada tem a ver com Wainwright. Ele vai ficar tão surpreso quanto os demais.
Stormgren já esperava por isso, embora não soubesse por que razão Joe confirmava suas suspeitas. Havia muito desconfiava da existência de um movimento extremista dentro — ou, por assim dizer, nas fronteiras — da Liga da Liberdade.
— Só por curiosidade — disse ele —, como foi que vocês me seqüestraram?
Não esperava uma resposta e ficou surpreendido com a presteza — quase ansiosa — com que o outro respondeu.
— Foi como num filme de suspense de Hollywood — disse Joe, entusiasmado. — Não tínhamos a certeza de que Karellen o vigiasse, de modo que tomamos certas precauções extremas. O senhor foi intoxicado por gás, colocado no con-dicionador de ar… até aí foi fácil. Depois, foi carregado para o carro; mais uma vez, nenhum problema. Tudo isso, devo dizer, não foi feito pela nossa gente. Contratamos profissionais para esse serviço. Karellen talvez os pegue, já esperamos por isso, mas não vai adiantar nada.
