Na sala, atrás dele, todos os telefones começaram a tocar, mas Ryberg não se mexeu. Permaneceu encostado ao peitoril da janela, sempre olhando para o sul, paralisado pela presença de um poderio ilimitado.

Stormgren falava e tinha a sensação de que sua mente operava ao mesmo tempo em dois níveis. Por um lado, tentava desafiar o homem que o capturara, ao passo que, por outro lado, esperava que o ajudassem a desvendar o segredo de Karellen. Era um jogo perigoso, mas, para sua surpresa, ele estava se divertindo.

O galês cego se encarregara da maior parte do interrogatório. Era fascinante ver aquele cérebro ágil tentar uma. entrada após outra, testando e rejeitando todas as teorias que Stormgren havia tanto tempo abandonara. Por fim, endireitou-se na cadeira e suspirou.

— Continuamos na estaca zero — disse, resignado. — Queremos mais fatos e isso significa ação e não discussão. — Os olhos sem vida pareciam fitar Stormgren. Durante um minuto, tamborilou nervosamente na mesa, o primeiro sinal de insegurança que Stormgren observara. Depois, prosseguiu:

— Senhor secretário, estou um pouco surpreso de que nunca tenha feito qualquer esforço para saber mais a respeito dos Senhores Supremos.

— O que me sugere? — perguntou Stormgren friamente, procurando disfarçar seu interesse. — Já lhe disse que existe apenas uma saída da sala em que tenho as minhas entrevistas com Karellen, e ela leva diretamente de volta à Terra.

— Talvez seja possível — meditou o outro — desenvolver instrumentos que nos possam esclarecer algo. Não sou cientista, mas podemos pensar no assunto. Se lhe devolvermos a liberdade, o senhor concordaria em colaborar num plano desses?



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