
— Não, não é nada disso. — Chuck se instalou no parapeito, o que não era habitual nele, porque normalmente lhe dava medo o abismo. — Acabo de descobrir qual é o motivo de tudo isto.
— O que quer dizer? Eu pensava que sabíamos.
— Certo, sabíamos o que os monges estão tentando fazer. Mas não sabíamos por que. É a coisa mais louca…
— Isso eu imagino — grunhiu George.
— …mas o velho me acaba de falar claramente. Sabe que ele aparece a cada tarde para ver como vão saindo as folhas. Pois bem, desta vez parecia bastante excitado ou, pelo menos, mais do que está acostumado a estar normalmente. Quando lhe disse que estávamos no ultimo ciclo, me perguntou, nesse sotaque inglês tão fino que tem, se eu tinha pensado alguma vez no que tentavam fazer. Eu disse que eu gostaria de sabê-lo… e então me explicou.
— Continua; estou entendendo.
— O caso é que eles acreditam que quando tiverem feito a lista de todos os nomes, e admitem que há uns nove trilhões, Deus terá alcançado seu objetivo. A raça humana terá acabado aquilo para o qual foi criada e não terá sentido algum continuar. Certamente, a idéia é algo assim como uma blasfêmia.
— Então que esperam que façamos? Suicidarmo-nos?
— Não há nenhuma necessidade disto. Quando a lista estiver completa, Deus entra em ação, acaba com todas as coisas!
— Oh, já compreendo! Quando terminarmos nosso trabalho, será o fim do mundo.
Chuck deixou escapar uma risadinha nervosa.
— Isto é exatamente o que disse ao Sam. E sabe o que ocorreu? Olhou-me de um modo muito estranho, como se eu tivesse cometido alguma estupidez e disse: “Não se trata de nada tão corriqueiro como isso”.
