Ninguém diria uma palavra.

O único ruído seria o incessante golpear das letras sobre o papel, porque o Mark V era por si completamente silencioso, enquanto efetuava seus milhares de cálculos por segundo.

Três meses assim, pensou George, era para subir pelas paredes.

— Ali está! — gritou Chuck, assinalando abaixo para o vale. — Não é belo!?

Certamente era, pensou George. O velho DC3 estava no final da pista, como uma pequena cruz de prata. Dentro de duas horas os estaria levando para a liberdade e a sensatez.

Era algo assim como saborear um licor de qualidade. George deixou que o pensamento lhe enchesse a mente, enquanto o cavalinho avançava pacientemente para baixo.

A rápida chegada da noite nas alturas do Himalaia quase lhes caia em cima. Felizmente, o caminho era muito bom, como a maioria dos da região e eles foram equipados com lanternas.

Não havia o mais ligeiro perigo: só certo desconforto causado pelo intenso frio. O céu estava perfeitamente iluminado pelas familiares e amistosas estrelas. Pelo menos, pensou George, não haveria risco de que o piloto não pudesse decolar por conta das condições do tempo.

Esta tinha sido sua ultima preocupação.

Ficou a cantar, mas deixou disso logo. O vasto cenário das montanhas, brilhando por toda parte como fantasmas brancos e encapuzados, não o animava a cantar.

De repente, George consultou seu relógio.

— Estaremos lá dentro de uma hora — disse voltando-se para Chuck. Depois, pensando em outra coisa, acrescentou: — Pergunto-me se o ordenador terá terminado seu trabalho. Estava calculado para esta hora.

Chuck não respondeu; assim George se voltou completamente para si. Pôde ver a cara do Chuck; era um oval branco voltado para o céu.

— Olhe — sussurrou Chuck; George elevou a vista para o espaço.



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