Todavia, a beleza pacífica da noite e o ritmo hipnótico das palmeiras passando rapidamente através do leque de luz lançado pelo carro restauraram-lhe rapidamente o bom humor. Como permitir que sentimentos pessoais tão mesquinhos atrapalhassem uma ocasião tão histórica quanto esta?

Em dez minutos eles se encontrariam no Primeiro Pouso, local onde sua história tinha principiado. O que estaria esperando por eles naquele local? Só uma coisa era certa: o visitante se dirigia para o radiofarol, ainda operante, da ancestral nave semeadora. Sabia onde procurar e, portanto, devia pertencer a alguma outra colônia humana neste setor do espaço. Por outro lado Brant se sentiu subitamente perturbado por um pensamento. Qualquer um, qualquer coisa, podia ter detectado aquele radiofarol sinalizando a todo o universo que a inteligência algum dia passara por este caminho. Lembrou-se então de que anos atrás houvera um movimento em favor do desligamento do farol, sob a alegação de que não servia a nenhum propósito útil, e poderia, concebivelmente, causar danos. A moção fora rejeitada por uma margem estreita de votos, por razões mais sentimentais e emocionais do que lógicas. Thalassa poderia arrepender-se logo de tal decisão, mas agora era certamente muito tarde para fazer qualquer coisa a respeito.

O conselheiro Simmons, inclinando-se contra o assento traseiro, falava baixinho com a prefeita.

— Helga — disse ele (e foi a primeira vez que Brant ouvia-o usar o primeiro nome da prefeita) —, você acha que ainda seremos capazes de nos comunicar? A linguagem dos robôs evoluiu muito rapidamente, você sabe. A prefeita Waldron não sabia, mas disfarçava muito bem sua ignorância.



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