
— Bem, isto certamente nos poupa um bocado de trabalho — disse ela num certo tom de desculpa.
— Mas de onde vêm vocês? Eu temo que tenhamos perdido o contato com nossos vizinhos desde que nossa antena de espaço profundo foi destruída.
O homem mais velho olhou para seu colega mais alto e alguma mensagem silenciosa passou entre eles. Então eles se voltaram para a prefeita que aguardava. Não havia engano na tristeza transmitida por aquela linda voz, enquanto fazia sua afirmativa absurda.
— Pode ser difícil para vocês acreditarem nisso — disse ele —, mas nós não somos de nenhuma das colônias. Viemos diretamente da Terra.
II — MAGALHÃES
6. QUEDA PLANETÁRIA
Mesmo antes de abrir os olhos Loren já sabia exatamente onde se encontrava, achando isto bem surpreendente. Depois de dormir duzentos anos, alguma confusão mental seria compreensível, mas parecia ter sido ontem que tinha feito sua última anotação no diário da nave. E até onde podia se lembrar, não tivera um único sonho. Estava grato por isso.
Ainda mantendo os olhos fechados, ele se concentrou em todos os seus outros canais sensoriais, um de cada vez. Podia ouvir um suave murmúrio de vozes, suavemente tranqüilizadoras. Lá estava o sussurro familiar dos renovadores de ar e ele podia sentir uma brisa quase imperceptível lançando agradáveis cheiros de anti-sépticos em seu rosto. A única sensação que não sentia era seu peso. Ergueu o braço direito, sem esforço: ele permaneceu flutuando no meio do ar, aguardando a próxima ordem.
