
Rama cresceu até encher a tela. Sua superfície era de um cinza fosco e pardacento, tão descolorido quanto a Lua, e completamente despido de sinais, salvo num ponto. Mais ou menos no meio do cilindro havia uma mancha de um quilômetro de largura, como se alguma coisa se tivesse chocado com ele, salpicando-o, milênios e milênios atrás.
Não havia indício de que o impacto houvesse causado qualquer dano às rodopiantes paredes de Rama; era, porém, essa mancha a causadora da pequena flutuação de brilho que levara Stenton a fazer a sua descoberta.
As imagens fornecidas pelas outras câmaras não acrescentavam nada de novo. No entanto, as trajetórias que os porta-câmaras traçaram através do diminuto campo gravitacional de Rama forneciam outra informação vital: a massa do cilindro.
Era leve demais para ser um corpo inteiriço. Não foi grande surpresa para ninguém o perceber que Rama devia ser oco.
O tão longamente esperado, tão longamente temido encontro viera finalmente. A humanidade ia receber o seu primeiro visitante vindo das estrelas.
4 ABORDAGEM
O Comandante Norton lembrava-se daquelas primeiras transmissões de TV cujos vídeos ele havia repetido tantas vezes, durante os minutos finais da abordagem. Mas havia uma coisa que nenhuma imagem eletrônica podia transmitir, e essa era o espantoso tamanho de Rama.
Norton nunca sofrerá uma impressão semelhante ao pousar num corpo natural como a Lua ou Marte. Esses eram mundos, e esperava-se que fossem grandes. Contudo, havia pousado também em Júpiter VIII, que era um pouco maior do que Rama — e lhe parecera um objeto bem pequeno.
