— Não, não venho fazer consulta — respondi. — Diga ao doutor que Frank Borie deseja vê-lo.

— Ah! É o Sr. Borie? Isso é diferente. Ele está lhe esperando.

Do fundo do corredor uma voz de baixo, profunda, gritou:

— Então, Madalena. que é? Quem está aí?

— Sou eu, Séva!

— Entra, com os diabos!

Clair herdara de sua mãe, russa emigrada, uma voz à Chaliapine, uma estatura de cossaco siberiano e o prenome de Vsévolod; de seu pai, natural do Périgeux, uma tez morena e cabelos negros, o que lhe tinha valido, no nosso grupo de estudantes, a alcunha de Claro-Escuro.

Dirigiu-se para mim em grandes passadas, quase me arrancou o braço com um aperto de mão, abalou-me com uma valente palmada nos ombros e, em vez de me mandar entrar para o seu gabinete, como de costume, reconduziu-me para a porta. — Que belo dia! — declamou ele, enfaticamente — O sol brilha e você veio! A verdade é que só esperava que chegasse de noite, no automotriz.

— Trouxe o meu automóvel. Mas venho lhe causar incômodo?

— Não, não, de forma nenhuma! Estou verdadeiramente contente por lhe ver. O que faz você? Como vai a pilha atômica?

— Silêncio! Mistério! Você sabe muito bem que não posso falar disso.

— Está bem, cientista misterioso! A propósito: quero lhe agradecer a última remessa de isótopos radioativos. Me foram muito úteis. Mas não aborrecerei você com outros pedidos. Estou tratando de coisas melhores.

— O que? — perguntei, admirado.

— Calma! É mistério! Não posso falar disso!

No corredor, atrás de nós, ouviu-se um ligeiro ruído de passos e pela porta, que ficara entreaberta, pareceu-me distinguir uma delicada silhueta feminina. Todavia, segundo eu sabia, Clair era solteiro e não mantinha qualquer ligação.

Notou, sem dúvida, a direção do meu olhar e, segurando-me pelo braço, fez com que me voltasse.

— Pois muito bem. Você não mudou. Está o mesmo. Entremos.



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