Ulna nada dizia, mas de vez em quando fitava Clair nos olhos, e tive a curiosa impressão de haver uma comunicação, não de sentimentos, mas de ideias Após a sobremesa, Clair dobrou cuidadosamente o guardanapo, afastou a cadeira, sentou-se em frente do fogo, numa poltrona baixa. Com um sinal convidou-me a sentar-me diante dele e depois chamou pela criada, para que servisse o café. Ulna tinha saído. Voltou trazendo um jornal dobrado em quatro, em que Clair pegou e depois me estendeu. Com um rápido olhar ao cabeçalho verifiquei que datava de há seis meses. Ia restituir-lho, pedindo-lhe uma explicação, quando notei, no fundo da página, um artigo circulado a vermelho:

AINDA OS DISCOS VOADORES

Kansas City, 2 de Outubro. Ontem, o tenente George K. Simpson Jr. regressava de um exercício a bordo do seu caça F. 109, ao cair da noite, quando percebeu, a cerca de 52.000 pés, uma sombra discoidal que se deslocava rapidamente Perseguiu-a e pôde aproximar-se. Viu então que se tratava de um disco, cujo diâmetro calculou em 30 ms., com uma espessura, no centro, de cerca de 5 m. O objeto deslocava-se a uma velocidade que o tenente Simpson declarou ultrapassar, segundo a velocidade do seu próprio avião, os 1.100 km/h. A perseguição prolongava-se já há dez minutos quando o piloto percebeu que o misterioso engenho ia passar sobre a base de N…, que só podia ser sobrevoada por aviões americanos. A ordem era formal e o tenente Simpson atacou então o engenho. Estava nesse momento a cerca de 2 km. dele e ligeiramente mais alto. Avançando a toda velocidade, disparou uma salva de foguetões. «Vi então», relatou ele, «os foguetões explodirem no revestimento metálico. Um segundo depois o meu aparelho explodiu e senti-me projetado pelo assento da catapulta. Felizmente o para-quedas abriu-se!». Esta cena foi testemunhada por numerosas pessoas, em terra; os técnicos examinam atualmente os destroços do avião do tenente Simpson. Quanto ao engenho misterioso, desapareceu, subindo verticalmente no céu, a uma grande velocidade..



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