
Numa voz tornada átona e impassível só por causa do processo de tradução, o Ian prosseguiu: —… As lendas parecem concordar em que quando um deles desce num planeta nada mais traz do que a nave e um companheiro que é sempre de uma espécie diferente. Usando uma combinação de ciência defensiva, psicologia e simples habilidade para o negócio, sobrepõem-se aos preconceitos locais e começam a acumular riqueza e poder. A transição da autoridade local para o domínio planetário absoluto é gradual, mas eles têm muito tempo. São imortais.
Conway ouviu o garfo cair no chão, como que multo longe. Passaram-se alguns minuto® antes que pudesse readquirir a firmeza, quer nas mãos, quer no espírito.
Havia algumas espécies extraterrestres na Federação que possuíam vidas muito longas, e a maior parte das culturas médicas avançadas — incluindo a da Terra — tinha os meios de prolongar consideravelmente a vida com tratamentos rejuvenescedores. A imortalidade, entretanto, era uma coisa que não tinham, nem tinham sequer tido a oportunidade de estudar alguém que a possuísse. Até àquele momento. Agora Conway tinha um paciente para cuidar, para curar e, acima de tudo, para investigar. A menos que… mas o GKNM era um médico, e um médico não diria «imortal» se quisesse referir apenas à longevidade.
— Tem a certeza? — grasnou Conway.
A resposta do Ian foi demorada porque incluiu o detalhe de muitos factos, teorias e legendas referentes a esses seres que se sentiam satisfeitos por dominar nada menos que um planeta de cada vez. No fim dela, Conway não estava certo de que o seu paciente fosse imortal, mas tudo quanto ele ouvira parecera indicar isso.
