Ambos os Ians caíram no chão.

Conway, que nunca vira os GKNM pararem de comer ou voar durante uma refeição, ficou impressionado pela reacção.

Disse: — Conhecem-nos, então?

O GKNM que se encontrava à direita fez ruídos que o Tradutor de Conway reproduziu como uma série de ladridos, o equivalente extraterrestre de um ataque de gaguez. Por fim ele disse: — Conhecemo-los. Nunca vimos um, não conhecemos o seu planeta de origem, e até agora não tínhamos a certeza de que eles tivessem existência verdadeiramente física. Eles… eles são deuses, Doutor.

Mais uma pessoa muito importante!… pensou Conway, com a súbita sensação de que lhe faltava o chão debaixo dos pés. A experiência dele com pessoas dessas dizia-lhe que os casos delas nunca eram simples. Mesmo que o estado do doente não tivesse nada de sério, havia inevitavelmente complicações, nenhuma das quais era de natureza médica.

— O meu colega está a deixar-se arrastar um pouco pelas emoções — interveio o outro GKNM. Conway nunca fora capaz de notar qualquer diferença entre os dois Ians, mas fosse como fosse, aquele tinha o ar de ser uma libélula mais cínica, mais fatigada do mundo. — Talvez eu possa dizer-lhe o pouco que sabemos, e o que tem sido deduzido quanto a eles, em vez de enumerarmos todas as coisas que não são…

A espécie a que o paciente pertencia não era numerosa, explicou o médico Ian, mas a sua esfera de influência na outra galáxia era tremenda. Estavam muito avançados nas ciências sociais e psicológicas, e individualmente a inteligência e capacidade mental deles era enorme. Por razões que só eles conheciam não procuravam com muita frequência a companhia dos outros, e nunca se encontrara mais que um em qualquer planeta, durante um período de tempo apreciável.

Eram sempre os supremos senhores, nos mundos que ocupavam. Por vezes, o seu domínio era benévolo, por vezes duro — mas a dureza, quando vista a um século de distância, resultava sempre ser disfarçadamente benévola. Usavam as pessoas, populações planetárias inteiras, i’ até culturas interplanetárias, puramente como um meio de resolver os problemas que eles próprios estabeleciam, o quando o problema estava resolvido partiam. Pelo menos era a impressão recebida por observadores não muito imparciais.



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