— Parece haver aqui uma incompreensão, Doutor — interrompeu Prilicla, usando as palavras que nele se podiam mais aproximar de dizer a alguém que estava errado. — O paciente está consciente…

— Recue!

Avisado tanto pelas palavras como pela radiação emocional de Conway perante o pensamento do que a maça ossuda do paciente poderia fazer ao corpo frágil como casca de ovo de Prilicla, o pequeno GLNO saltitou para trás, até se colocar fora do alcance. O tenente aproximou-se cautelosamente, os olhos fitos no ainda imóvel tentáculo que terminava naquele monstruoso cacete. Durante alguns segundos ninguém se moveu ou falou, enquanto exteriormente a criatura parecia continuar inconsciente. Por fim Conway olhou para Prilicla. Não teve necessidade de falar.

Prilicla disse: — Detecto radiação emocional de um tipo que emana apenas de um cérebro que está consciente de si próprio. Os processos mentais parecem lentos e, considerando o tamanho do paciente, também fracos. Em pormenor, está a irradiar sensações de perigo, impotência e confusão. Há também indicações de um objectivo fundamental

Conway suspirou.

— Portanto ele está a fingir-se de morto — disse o tenente numa voz soturna, falando principalmente para si próprio.

O facto de o paciente estar a simular a Inconsciência preocupava menos Conway que o monitor. Apesar da quantidade de material de que dispunha para diagnóstico, acreditava firmemente em que o melhor guia de um médico perante qualquer desarranjo era um doente comunicativo e cooperador. Mas como poderia ele iniciar uma conversação com um ser que era um semideus?

— Nós… nós queremos ajudá-lo — disse ele, acanhadamente. — Compreende o que estou a dizer?

O doente permaneceu imóvel como antes.

Prilicla disse: — Não há qualquer indicação de que ele o tenha ouvido, Doutor.



13 из 169