O pessoal do Sector Geral era um grupo de criaturas dedicadas, mas nem sempre sérias, que eram fanaticamente tolerantes esta relação a todas as formas de vida inteligente — se não fosse assim eles não estariam ali, para começar. E orgulhavam-se de que nenhum caso era demasiado grande; demasiado pequeno ou demasiado desesperado. O seu conselho ou assistência era procurado por autoridades médicas de toda a Galáxia. Todos eles pacifistas, travavam uma guerra constante, sem quartel, contra o sofrimento e á doença fossem de indivíduos ou de populações planetárias inteiras.

Mas havia ocasiões em que o diagnóstico e o tratamento de uma cultura interstelar doente, implicando a remoção cirúrgica de preconceitos profundamente enraizados e valores morais insanos sem a cooperação e o consentimento Mo paciente, podiam, apesar do pacifismo dos doutores encarregados do caso, conduzir à guerra. Ponto final.

A criatura trazida para a sala de observações era um grande espécime — com uma massa de cerca de quatrocentos e cinquenta quilos, segunda os cálculos de Conway — e lembrava uma pêra Vertical, gigantesca. Cinco espessos apêndices tentaculares cresciam da estreita secção da cabeça e um pesado avental de músculos na base evidenciava um método de locomoção semelhante ao dos caracóis, ainda que não necessariamente lento. Toda a superfície do corpo parecia em carne viva, lacerada, como se alguém a houvesse querido esfolar com tens escova de arame.

Para Conway não havia nada de invulgar sobre o aspecto físico do paciente ou o seu estado — seis anos no Hospital do Sector Geral, no espaço, tinham-no habituado a visões mais espantosas — portanto aproximou-se para proceder a um exame preliminar. Imediatamente, o tenente do Corpo de Monitores que acompanhara a maca do paciente até à sala aproximou-se também. Conway tentou ignorar o bafo na sua nuca e olhou a criatura mais de perto.



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