Conway afundou-se ainda mais na cadeira fechou os olhos e começou a ver as peças do quebra-cabeças a entrarem suavemente nos seus lugares.

Tudo começara no planeta em que os EHLIH foram a forma de vida dominante. A seu tempo, tinham alcançado uma civilização que incluía o voo interstelar e uma ciência médica avançada. A duração da Sua vida, inicialmente já grande, fora tão estendida que uma espécie de vida relativamente curta como o lans podia ser perdoada por supor que eles eram imortais. Mas um alto preço tivera de ser pago pela sua longevidade; a reprodução da espécie, o instinto normal paira a reprodução da espécie em indivíduos mortais, teria sido a primeira coisa a desaparecer; depois a sua civilização teria sido dissolvida — ou antes, despedaçada — numa massa de individualistas fervorosos, viajantes, interstelares, até que, por fim, ficara a depressão psicológica, surgida quando o receio da deterioração puramente física se extinguira.

Pobres semideuses, — pensou Conway.

Evitavam a companhia uns dos outros pela simples razão de que estavam fartos dela — séculos após séculos dos costumes, dos hábitos de falar, das opiniões uns dos outros e do simples e absoluto aborrecimento de olharem uns para os outros. Tinham apresentado a si próprios enormes problemas sociológicos — tomando conta de culturas planetárias atrasadas ou deformadas e puxando-as pelos atacadores das próprias botas, e fazendo actos filantrópicos semelhantes — porque tinham espíritos tremendos, porque tinham tempo mais do que bastante, porque tinham de lutar contra o aborrecimento e principalmente, porque deviam ter sido boas pessoas. E porque o preço de tal longevidade fora um medo cada vez maior dia morte, tinham de ter os seus médicos pessoais — sem dúvida os melhoreis que conheciam — a atendê-los constantemente.



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