O’Mara fez uma pausa e atirou com um pequeno maço de papéis para o colo de Conway, que viu que se tratava de uma cópia dactilografada das secções mais importantes do livro de bordo. Só teve tempo de descobrir que a vitima do EPLH fora o médico de bordo. O’Mara começou a falar de novo.

— Não sabemos nada sobre o seu planeta de origem, excepto que se situa em qualquer parte na outra galáxia — disse ele, num tom não muito animado. — Portanto, e como só explorámos ainda um quarto da nossa própria galáxia nossas possibilidades de encontrar o lugar de onde ele veio são desprezíveis…

Conway disse: — Os lans não poderiam ajudar?

Os lans pertenciam a uma cultura originária da outra galáxia, que estabelecera uma colónia no mesmo sector da Galáxia onde se situava o Hospital. Eram de uma espécie invulgar — classificação GKNM — que entrava no estado de crisálida na adolescência e sofria uma metamorfose que a tornava de uma lagarta de dez pernas numa bela forma de Vida alada. Conway tivera um deles como paciente três meses antes. O paciente tivera alta havia muito tempo, mas os dois médicos GKNM, que tinham vindo ajudar Conway a tratar do paciente, tinham permanecido no Geral do Sector para estudar e ensinar.

— Uma galáxia é um espaço muito grande — disse O’Mara, com uma óbvia falta de entusiasmo. — Mas tente falar com eles! No entanto, voltando ao seu paciente, o maior problema é o que vamos fazer ao doente, depois de você o curar.

Prosseguiu: — Compreende, Doutor: esta bestinha foi encontrada em circunstâncias que mostram muito concludentemente que é culpada de um acto que todas as espécies inteligentes que conhecemos consideram um crime. Sendo a força de polícia da Federação entre outras coisas, o Corpo de Monitores tem a obrigação de tomar certas medidas contra os criminosos como este. Devem ser julgados e reabilitados ou punidos como parecer adequado. Mas como poderemos dar a este criminoso um julgamento justo, se não sabemos nada sobre ele — é possível que exista uma multidão de circunstâncias atenuantes? Por outro lado não o podemos deixar partir em liberdade…



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