O’Mara era um homem muito importante no Geral do Sector. Era também, confessadamente, o homem do qual era mais fácil alguém se aproximar, no hospital. O’Mara tinha o orgulho de dizer que não se preocupava com quem se dirigia a ele ou quando, mas se essa pessoa não tivesse uma razão muito boa para o incomodar com os seus problemazinhos parvinhos, então não esperasse sair ileso das mãos dele. Para O’Mara os médicos eram pacientes, e era crença geral que o alto nível de estabilidade entre o variegado e muitas vezes delicado bando de extraterrestres era devido ao facto de eles terem demasiado medo de O’Mara para perderem o juízo. Mas naquele dia ele estava com uma disposição quase sociável.

— Isto não demorará mais de cinco minutos e será melhor que se sente, Doutor — disse ele num tom amargo quando Conway parou perante a sua secretária. — Já observou o nosso canibal?

Conway disse que sim e sentou-se. Descreveu brevemente o que verificara em relação ao paciente EFLH, incluindo a suspeita de que podia haver complicações de natureza psicológica. Ao terminar, perguntou: — Tem quaisquer outras informações sobre ele, além do canibalismo?

— Muito poucas — disse O’Mara. — Foi encontrado por uma nave-patrulha dos Monitores, numa nave que, ainda que não danificada, estava a emitir sinais de socorro. Ê evidente que ele estava demasiado doente para governar a nave. Não havia outro ocupante, mas como o EPLH era uma espécie nova para a equipa de socorro, esta passou a nave a pente fino e descobriu que devia ter havido outra pessoa a bordo. Verificaram isso através de uma espécie de livro de bordo e diário pessoal gravado pelo EPLH e do estudo dos indicadores das escotilhas e de outros dispositivos protectores cujos pormenores não nos interessam neste momento. Entretanto, todos os factos indicam que havia duas criaturas a bordo da nave, e a gravação do livro de bordo sugere muito fortemente, que a outra teve um fim triste nas mãos e nos dentes do nosso paciente.



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