
Mas Conway observava todos os seus pacientes, incluindo aqueles cuja convalescença estava bem adiantada ou cujo tratamento podia ter sido entregue a um subordinado. Estava bem consciente de que aquilo era um procedimento estúpido que somente servia para lhe dar muito trabalho desnecessário, mas a verdade era que a promoção dele a Médico-Chefe era ainda demasiado recente para que estivesse habituado à delegação da responsabilidade em grande escala. Tentava estupidamente fazer tudo por suas próprias mãos.
Depois das rondas devia dar uma lição sobre partos a uma turma de enfermeiros DBLF. Os DBLF eram criaturas peludas, multípedes, parecendo lagartas muito grandes, e eram nativas do planeta Kelgia. Respiravam a mesma mistura atmosférica que ele, o que significava que poderia fazer isso sem usar um fato de pressão. A esse conforto puramente físico adicionava-se o facto de que, como as fêmeas Kelgianas concebiam somente uma vez uma Vida e depois produziam quadrigêmeos que eram invariavelmente divididos em pares, o assunto sobre o qual iria falar era elementar e não exigia grande concentração da sua parte. Deixava uma larga secção do seu espírito livre para se preocupar com o suposto canibal, na sala de observações.
CAPÍTULO II
Meia hora depois encontrava-se com os dois doutores Ians, comendo a inevitável salada no refeitório principal do Hospital — aquele que servia para os Tralthanos, Kelgianos, humanas e as várias outras criaturas de sangue quente e respiradoras de oxigénio que faziam parte do quadro do pessoal. A salada era mais ou menos apetecível, comparada com as coisas que ele tinha de comer quando convidava outros colegas extraterrestres, mas pensava que nunca seria capaz de se habituar à ventania que eles criavam durante o almoço.
