Harlan franziu os sobrolhos. — São fantásticos.

— Eletrogravitantes — disse Voy. — O 2481 é o único século a desenvolver viagens especiais eletrogravitantes. Nada de propelentes, nada de ciência nuclear.

É um invento esteticamente agradável. É uma pena termos de mudá-lo. Uma pena.

Seus olhos fixaram-se em Harlan com distinta desaprovação. Os lábios de Harlan comprimiram-se. Desaprovação, naturalmente! Por que não? Ele era o Técnico.

Para ser exato, tinha sido algum Observador quem havia introduzido os detalhes de adicionamento de drogas. Tinha sido algum Estatístico quem havia demonstrado que recentes Mudanças tinham aumentado o índice de adicionamento, que até agora era o mais alto de toda a Realidade corrente do homem. Algum Sociólogo, talvez o próprio Voy, tinha-o interpretado dentro do perfil psiquiátrico de uma sociedade. Finalmente, algum Computador tinha executado a Mudança de Realidade necessária para reduzir o adicionamento a um nível seguro e descoberto que, como efeito secundário, as viagens espaciais eletrogravitantes deveriam sofrer. Uma dúzia, uma centena de homens de todos os graus da Eternidade haviam participado disso.

Mas então, enfim, um Técnico tal como ele devia entrar em cena. Seguindo as direções que todos os outros haviam combinado em lhe dar, devia ser ele a iniciar a verdadeira Mudança de Realidade. E então todos os outros o olhariam com insolente acusação. Seus olhares diriam: “Você, não nós, destruiu essa coisa maravilhosa.”

E por isso, eles o condenariam e o evitariam. Passariam suas próprias culpas para seus ombros e o desprezariam.

— Naves não são o que importa — disse Harlan asperamente. — Estamos preocupados com aquelas coisas.

As “coisas” eram pessoas, tolhidas pela espaçonave, como a Terra e a sociedade da Terra estão sempre tolhidas pelas dimensões físicas do vôo espacial.



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