Harlan tinha um tímido e secreto orgulho por esse tipo de conhecimento arcano. Desde seus primeiros dias de escola havia cavalgado os cavalinhos de pau da História Primitiva, para o que o Educador Yarrow o havia encorajado. Harlan tinha se tornado verdadeiramente afeiçoado àqueles séculos pervertidos e estranhos que jaziam, não somente antes do começo da Eternidade, no século 27, mas mesmo antes da invenção do próprio campo Temporal, no século 24. Tinha usado velhos livros e periódicos em seus estudos.

Tinha até mesmo viajado bem abaixo na escala do Tempo, até os mais primitivos séculos da Eternidade, quando podia conseguir permissão, para consultar melhores fontes.

Durante mais de quinze anos tinha conseguido reunir uma notável biblioteca privada, quase toda em impressão em papel. Havia um volume escrito por um homem chamado H. G. Wells, outro por um homem de nome W. Shakespeare e algumas histórias esfarrapadas. Melhor que tudo, havia uma série completa de volumes encadernados de um jornal semanal Primitivo que ocupava espaço excessivo, mas que ele não pudera, por sentimentalismo, suportar a idéia de reduzir a microfilme.

Ocasionalmente perdia-se em um mundo onde vida era vida e morte, morte; onde o homem tomava suas decisões de maneira irrevogável; onde o mal não podia ser evitado, nem o bem, estimulado; e a Batalha de Waterloo, tendo sido perdida, estava perdida de uma vez para sempre. Havia até mesmo um fragmento de poesia que ele entesourava, que determinava que um dedo móvel, uma vez tendo escrito, nunca poderia ser atraído de volta para anular o que havia escrito.

E então era difícil, quase chocante, trazer seus pensamentos de volta à Eternidade e a um universo onde a Realidade era algo flexível e evanescente, algo que homens como ele podiam segurar na palma da mão e moldar em um aspecto melhor.



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