
A ilusão de Papai Noel despedaçou-se quando Hobbe Finge falou-lhe em uma maneira viva e prosaica. — Você pode começar amanhã com um esquadrinhamento rotineiro da Realidade corrente. Quero-o bom, completo e conciso. Não haverá negligências permitidas. Seu primeiro mapa espaço-temporal estará pronto para você amanhã cedo. Entendeu?
— Sim, Computador — respondeu Harlan. Decidiu, a partir daí, que ele e o Computador Assistente Hobbe Finge não se dariam bem, e lastimava-o.
Na manhã seguinte, Harlan recebeu seu mapa em configurações intrincadamente perfuradas, quando emergiram do Computaplex. Usou um decodificador de bolso para traduzi-las em Intertemporal Padrão, em sua ansiedade de não cometer nem mesmo o menor engano bem no começo. Naturalmente, havia atingido o estágio em que podia ler as perfurações diretamente.
O mapa dizia-lhe onde e quando no mundo do século 482 ele poderia ir e onde não poderia, o que poderia e o que não poderia fazer e o que tinha de evitar a todo custo.
Sua presença deveria impor-se apenas sobre aqueles lugares e tempos em que não comprometessem a Realidade.
O século 482 não lhe era confortável. Não era como seu próprio século natal, rigoroso e conformista. Era uma época sem éticas ou princípios, como aqueles que estava acostumado a imaginar. Era hedonista, materialista, mas que um pouco matriarcal. Era a única época (ele verificou isto nos registros da maneira mais esmerada) na qual florescia nascimento ectogênico e, no máximo, quarenta por cento de suas mulheres davam à luz eventualmente, simplesmente acrescentando um óvulo fertilizado ao ovário. O casamento era feito e desfeito por mútuo consentimento e não era reconhecido legalmente como qualquer coisa mais do que um acordo pessoal sem força de ligação. A união visando gravidez era, naturalmente, cuidadosamente diferenciada das funções sociais do casamento e arranjada sobre bases puramente eugênicas.
