Harlan encolheu os ombros. — Algo em meus relatórios o leva a pensar que estou perturbado?

Era quase uma imprudência, e o tamborilar das unhas rudes de Finge sobre a escrivaninha o mostrava. — Responda minha pergunta — disse Finge.

— Sociologicamente — disse Harlan — diversas facetas do século revelam exagero. As últimas três Mudanças de Realidade nas épocas próximas o têm acentuado. Eventualmente, suponho que o caso deveria ser retificado. Exageros nunca são saudáveis.

— Então você se deu ao trabalho de examinar as Realidades anteriores do século.

— Como Observador, devo examinar todos os fatos pertinentes.

Era uma situação de equilíbrio. Harlan, naturalmente, tinha o direito e o dever de examinar aqueles fatos.

Finge devia saber disso. Todos os séculos estavam sendo continuamente sacudidos por Mudanças de Realidade. Nenhuma Observação, por mais meticulosa que fosse, podia ficar por muito tempo sem nova inspeção. Era procedimento padrão na Eternidade ter-se todos os séculos em um estado constante de Observação. E para se Observar adequadamente, devia-se ser capaz de levar em consideração não somente os fatos da Realidade corrente, mas também sua relação com os das Realidades anteriores.

Contudo, a Harlan parecia que essa investigação das opiniões dos Observadores não era simplesmente desagradabilidade da parte de Finge. Este parecia definitivamente hostil.

Em uma outra vez Finge disse a Harlan (tendo-lhe invadido o pequeno escritório para trazer as novas): — Seus relatórios estão criando uma impressão bem favorável no Conselho Geral.

Harlan vacilou, incerto, e então murmurou: — Obrigado.

— Todos concordam que você mostra um grau de penetração incomum.

— Faço o melhor que posso.

— Já conhece o Computador Sênior Twissell? — perguntou Finge subitamente.

— Computador Twissell? — Os olhos de Harlan se arregalaram. — Não, senhor. Por que pergunta?



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