
— Parece que você tem um passatempo, rapaz. Está interessado em História Primitiva, não?
Gesticulou expansivamente com o cigarro e Harlan, em sua raiva esquecendo de controlar a respiração, inalou uma nuvem de fumaça e tossiu desamparadamente.
Twissell considerou benignamente o acesso de tosse do jovem Observador e disse: — Não é assim?
— O Computador Finge não tinha o direito… — começou Harlan.
— Ora, ora. Contei-lhe o que havia no relatório porque disso depende o propósito para o qual mais preciso de você. Na verdade, o relatório era confidencial e você tem de esquecer que eu lhe disse o que continha. Permanentemente, rapaz.
— Mas o que há de errado no fato de eu estar interessado em História Primitiva?
— Finge acha que seu interesse nisso mostra um forte Desejo-de-Tempo. Entende-me, rapaz?
Harlan entendia. Era impossível deixar de assimilar dialeto psiquiátrico. Especialmente aquela frase. Supunha-se que todos os membros da Eternidade tinham uma forte inclinação, a mais forte por ser oficialmente suprimida em todas as suas manifestações, a voltar, não necessariamente ao seu próprio Tempo, mas ao menos a algum Tempo definido; a se tornar parte de um século, ao invés de continuar sendo um viajante através de todos eles. É claro que na maioria dos Eternos a inclinação permanecia escondida em segurança no inconsciente.
— Não creio que seja esse o caso — disse Harlan.
— Nem eu. Na realidade, acho que seu passatempo é interessante e valioso. Como eu disse, eis por que o quero. Quero que ensine a um Aprendiz que lhe trarei tudo que sabe e tudo que puder aprender sobre História Primitiva. Ao mesmo tempo, você também será meu Técnico pessoal. Começará dentro de alguns dias. Isso lhe é agradável?
Agradável? Ter permissão oficial para aprender tudo que puder sobre os dias anteriores à Eternidade? Estar pessoalmente associado com o mais notável de todos os Eternos? Mesmo o odioso fato da posição de Técnico parecia tolerável sob essas condições.
