
Sua cautela, contudo, não o abandonou por completo. — Se isso é necessário para o bem da Eternidade, senhor… — disse ele.
— Para o bem da Eternidade? — gritou o gnômico computador em súbita excitação. Atirou a ponta do cigarro com tal energia, que esta atingiu a parede mais distante e caiu em uma chuva de centelhas. — Preciso de você para a existência da Eternidade.
3. APRENDIZ
Harlan estivera no século 575 durante semanas antes que conhecesse Brinel d'água d'águaey Sheridan Cooper. Teve tempo de se acostumar com seus novos aposentos e com a antissepcia do vidro e da porcelana. Aprendeu a usar a insígnia de Técnico apenas com acanhamento moderado e a abster-se de tornar as coisas piores, colocando-se em posição de modo que a insígnia ficasse escondida contra uma parede ou encoberta pela interposição de algum objeto que estivesse carregando.
Os outros sorriam com desdém quando isso era feito e tornavam-se mais indiferentes, como se suspeitassem de uma tentativa de invadir sua amizade sob falsos pretextos.
O Computador Sênior Twissell trazia-lhe problemas diariamente. Harlan os estudava e escrevia suas análises em rascunhos que eram reescritos quatro vezes, sendo a última versão entregue com relutância mesmo assim.
Twissell avaliava-os, acenava com a cabeça e dizia:
— bom, bom.
Então seus velhos olhos lançavam-se rapidamente sobre Harlan e seu sorriso se estreitava um pouco quando dizia:
— Testarei esta suposição no Computaplex.
Ele sempre chamava a análise de “suposição”. Nunca dizia a Harlan o resultado do exame do Computaplex, e este não ousava perguntar. Estava desesperado quanto ao fato de nunca lhe ter sido pedido para colocar qualquer uma de suas próprias análises em ação. Será que aquilo significava que o Computaplex não estava conferindo com ele, que estivera escolhendo o item errado para a indução de uma Mudança de Realidade, que não tinha aptidão para ver a Mínima Mudança Necessária em uma área indicada? (Somente bem depois é que ele ficou suficientemente sofisticado para ter a frase rolando para fora da língua como M.M.N.)
