— Há ainda outra coisa — disse lentamente Wainwright. — Temos muitas objeções aos Senhores Supremos, mas, acima de tudo, detestamos o segredo em que se envolvem. O senhor é o único ser humano que conseguiu falar com Karellen e, mesmo assim, nunca o viu! É de se admirar que duvidemos dos motivos dele?

— Apesar de tudo o que ele tem feito pela humanidade?

— Sim, apesar disso. Não sei o que achamos pior: a onipotência de Karellen ou o segredo de que ele se cerca.

Se não tem nada a esconder, por que nunca se mostra? Da próxima vez que falar com o supervisor, Sr. Stormgren, pergunte-lhe isso!

Stormgren ficou calado. Nada havia que ele pudesse retrucar a esses argumentos — nada, pelo menos, capaz de convencer o outro. Às vezes, pensava se ele próprio realmente se convencera.

Tratava-se, naturalmente, de operação muito pequena, do ponto de vista deles, mas, para a Terra, era a maior coisa que já tinha acontecido. As grandes naves tinham vindo das incógnitas profundezas do espaço, sem qualquer aviso prévio. Aquele dia fora inúmeras vezes descrito em ficção, mas ninguém tinha realmente acreditado que algum dia ele chegasse. Agora, porém, chegara: as formas reluzentes e silenciosas que pairavam sobre cada país eram o símbolo de uma ciência que o homem não sonharia sequer igualar senão dali a séculos. Durante seis dias, elas haviam flutuado, imóveis, sobre as cidades dos homens, sem dar a entender que sabiam da sua existência. Mas nem era preciso: não havia coincidência que pudesse ter levado aquelas possantes naves a pairar precisamente sobre Nova York, Londres, Paris, Moscou, Roma, Cidade do Cabo, Tóquio, Canberra…

Antes mesmo de se terem escoado aqueles seis terríveis dias, alguns homens haviam adivinhado a verdade. Aquela não era uma primeira tentativa de contato de uma raça que nada sabia a respeito dos homens. Dentro daquelas naves paradas e silenciosas, mestres em psicologia estudavam as reações da humanidade. Quando a curva de tensão atingisse o máximo, entrariam em ação.



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