
Foi assim que, no sexto dia, Karellen, supervisor encarregado da Terra, se deu a conhecer ao mundo através de uma transmissão que cobriu todas as freqüências radiofônicas. Falou num inglês tão perfeito, que deu início a uma controvérsia destinada a dividir toda uma geração de um lado a outro do Atlântico. O contexto de sua fala foi ainda mais surpreendente do que sua emissão. Era a obra de um autêntico gênio, mostrando um domínio completo e absoluto dos assuntos humanos. Não podia haver dúvida de que sua erudição e seu virtuosismo, os estarrecedores aspectos de um conhecimento ainda inexplorado, tinham o fim deliberado de convencer os homens de que estavam na presença de um extraordinário poder intelectual. Quando Karellen ter- minara, as nações da Terra souberam que seus dias de precária soberania haviam chegado ao fim. Os governos internos, locais, continuariam retendo os seus poderes, mas, no campo mais amplo dos assuntos internacionais, as decisões supremas não mais caberiam aos humanos. Argumentações, protestos, tudo era inútil.
Dificilmente se poderia esperar que todas as nações do mundo se submetessem docilmente a uma tal limitação de seus poderes. Contudo, a resistência ativa apresentava sérias dificuldades, pois a destruição das naves dos Senhores Supremos, mesmo que possível, aniquilaria as cidades situadas abaixo delas. Não obstante, uma das principais potências fizera uma tentativa nesse sentido. Talvez os responsáveis por ela esperassem matar dois pássaros com um só míssil atômico, porquanto o seu alvo estava flutuando sobre a capital de uma nação vizinha e inimiga.
Quando a imagem da grande nave surgira na tela de televisão, na sala de controle secreto, o pequeno grupo de * oficiais e técnicos devia ter sido presa de muitas emoções. Se tivessem êxito — que ação tomariam as naves restantes? Poderiam também ser destruídas, permitindo à humanidade continuar no seu caminho? Ou desencadearia Karellen uma terrível vingança sobre os que tinham ousado atacá-lo?
