— É uma teoria interessante — riu Stormgren —, mas que colide com o pouco que sei, ou penso que sei, a respeito dos antecedentes de Karellen.

— E que é que você sabe?

— Bem, ele costuma referir-se a sua posição aqui como algo temporário, mas que o impede de se dedicar a sua verdadeira ocupação, que julgo seja alguma forma de matemática. Certa vez, mencionei a citação de Acton sobre a corrupção pelo poder e a corrupção absoluta do poder absoluto. Quis ver como ele reagiria a isso. Deu uma de suas risadas cavernosas e disse: «Não há perigo de que tal aconteça comigo. Em primeiro lugar, quanto mais cedo eu terminar meu trabalho aqui, mais cedo poderei voltar a minha terra, que fica a muitos anos-luz daqui. Em segundo lugar, não tenho poderes absolutos. Sou apenas um supervisor». Naturalmente, ele podia não estar sendo sincero comigo. Isso eu nunca poderei saber.

— Ele é imortal, não é?

— Sim, por nosso padrões, embora haja algo no futuro que ele parece temer. Não posso imaginar o que seja. E é tudo o que sei a respeito dele.

— Não leva a muitas conclusões. Minha teoria é de que sua pequena frota se perdeu no espaço e está à procura de um novo porto. Ele não quer que a gente saiba quão poucos ele e seus camaradas são. Talvez todas essas naves sejam automáticas e não haja ninguém dentro delas. Talvez não passem de uma fachada imponente.

— Acho que você tem lido demasiada ficção científica — disse Stormgren.

Van Ryberg riu, meio velhacamente.

— A «Invasão que veio do espaço» não saiu exatamente conforme se esperava, hein? Minha teoria explicaria pelo menos por que Karellen nunca se mostra. Não quer que a gente saiba que não há mais Senhores Supremos.

Stormgren abanou a cabeça, em bem-humorado desacordo.



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