Era realmente surpreendente que tantos abusos, tanta loucura e tantos males pudessem ter acabado com aquelas mensagens vindas do céu. Com a chegada dos Senhores Supremos, as nações ficaram sabendo que não precisavam mais temer umas às outras, e adivinharam — antes mesmo que a experiência fosse feita — que as armas existentes eram impotentes contra uma civilização capaz de servir de ponte entre os astros. Isso removera o maior obstáculo à felicidade dos homens.

Os Senhores Supremos pareciam bastante indiferentes às formas de governo, desde que não fossem opressivas ou corruptas. A Terra continuava com democracias, monarquias, ditaduras benevolentes, comunismo e capitalismo. Isso foi uma grande surpresa para muitas criaturas simplórias, profundamente convencidas de que o seu era o único modo de vida possível. Outros achavam que Karellen estava esperando apenas para introduzir um sistema que derrubaria todas as outras formas existentes de sociedade e por isso não se preocupara com pequenas reformas políticas. Mas, como todas as especulações a respeito dos Senhores Supremos, também essa era pura adivinhação. Ninguém conhecia os motivos deles — e ninguém sabia para que futuro eles estavam levando a humanidade.

Stormgren não estava dormindo bem, o que era estranho, pois em breve deveria ver-se para sempre livre das preocupações de seu cargo. Havia quarenta anos que servia

à humanidade, havia cinco anos que servia aos Senhores Supremos e poucos homens poderiam olhar para trás e ver tantas ambições realizadas. Talvez fosse esse o problema: quando se aposentasse — e poderia viver anos aposentado —, não teria mais metas para lhe dar estímulo à vida. Desde que Martha morrera e os filhos haviam formado suas próprias famílias, os elos que o prendiam ao mundo pareciam ter enfraquecido. Também podia ser que ele estivesse começando a se identificar com os Senhores Supremos, tornando-se distante da humanidade.



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