Sua sombra estava em todo lado, mas era uma sombra discreta. Embora fossem poucas as grandes cidades da Terra onde os homens não pudessem ver uma das naves prateadas reluzindo contra o zênite, passado algum tempo elas começaram a ser encaradas com naturalidade, como se fossem o sol, a lua ou simples nuvens. A maioria dos homens provavelmente não se dava conta de que os seus cada vez melhores padrões de vida se deviam aos Senhores Supremos. Quando paravam para pensar nisso — o que era raro — percebiam que aquelas naves silenciosas tinham trazido a paz ao mundo pela primeira vez na história e sentiam-se gratos.

Mas eram benefícios negativos e não-espetaculares, aceitos e logo esquecidos. Os Senhores Supremos permaneciam distantes, escondendo seus rostos da humanidade. Karellen podia despertar respeito e admiração, mas não conquistar algo mais profundo, enquanto persistisse na sua atual política. Era difícil não ter ressentimento contra aqueles habitantes do Olimpo, que só falavam com o homem através de circuitos de radiotelex, na sede das Nações Unidas. O que se passava entre Karellen e Stormgren nunca era publicamente revelado, e às vezes o próprio Stormgren se perguntava por que seria que o supervisor considerava aqueles encontros necessários. Talvez achasse que precisava de contato direto pelo menos com um ser humano; talvez sentisse que Stormgren precisava dessa forma de apoio pessoal. Se a explicação era essa, o secretário-geral apreciava-a: não se incomodava com que a Liga da Liberdade se referisse a ele, desprezivelmente, como «o office boy de Karellen».

Os Senhores Supremos nunca tinham tido contato com nações ou governos individuais. Haviam tomado a Organização das Nações Unidas como a tinham encontrado, dado instruções para a instalação do equipamento de rádio necessário e transmitido suas ordens pela boca do secretário-geral. O delegado soviético fizera ver, corretamente e em inúmeras ocasiões, que aquilo não estava de acordo com a Carta. Karellen não parecia preocupado com isso.



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