
Joe ofereceu-lhe um cigarro, que Stormgren recusou, acendeu um e sentou-se na beira da mesa. Ouviu-se um estalo e levantou-se mais que depressa.
— Os nossos motivos — disse ele — são mais do que óbvios. Esgotamos todos os argumentos e resolvemos recorrer a outros meios. Antes de nós, já houve vários movimentos clandestinos e até mesmo Karellen, por mais poderes que tenha, não vai achar fácil lidar conosco. Estamos dispostos a lutar pela nossa independência. Não me entenda mal. Não vai ser nada violento — pelo menos, a princípio —, mas os Senhores Supremos vão ter que empregar agentes humanos e nós podemos tornar as coisas muito difíceis para eles.
Começando por mim, pensou Stormgren. Ficou pensando se o outro lhe teria contado mais do que uma fração da história toda. Acreditariam realmente que aqueles métodos de gângsteres teriam alguma influência sobre Karellen? Por outro lado, não havia dúvida de que um movimento de resistência bem organizado podia tornar a vida um bocado difícil. Joe tinha posto o dedo no único ponto fraco do domínio dos Senhores Supremos. No fundo, todas as ordens deles eram executadas por agentes humanos. Se uma ação terrorista os levasse à desobediência, todo o sistema poderia ir por água abaixo. Era apenas uma longínqua possibilidade, pois Stormgren tinha confiança em que Karellen não tardaria a encontrar uma solução.
— Que é que vocês pretendem fazer comigo? — perguntou, por fim, Stormgren. — Sou um refém ou o quê?
— Não se preocupe, nós cuidaremos do senhor. Esperamos algumas visitas dentro de uns dias e, até lá, procuraremos tratá-lo da melhor maneira possível.
Acrescentou algumas palavras em sua língua e um dos outros dois puxou um baralho novinho em folha.
— Compramos este baralho especialmente para o senhor — explicou Joe. — Li recentemente no Time que o senhor era um ótimo jogador de pôquer. — A voz dele tornou-se subitamente grave. — Espero que tenha bastante dinheiro na carteira — disse, ansioso. — Não tivemos a idéia de olhar. Naturalmente, não podemos aceitar cheques.
