Perplexo, Stormgren ficou olhando para seus captores. Depois, à medida que se foi apercebendo do aspecto humorístico da situação, teve a sensação de que todas as preocupações e responsabilidades de seu cargo lhe tinham sido tiradas dos ombros. De agora em diante, o fardo recairia sobre as costas de Van Ryberg. Acontecesse o que acontecesse, não havia nada, absolutamente nada, que ele pudesse fazer — e, agora, aqueles incríveis criminosos estavam ansiosos para jogar pôquer com ele!

Atirou a cabeça para trás e riu como havia anos não fazia.

Não havia dúvida, pensou Van Ryberg, sombriamente, de que Wainwright estava dizendo a verdade. Podia suspeitar de algo, mas não sabia quem tinha raptado Stormgren. Nem aprovava a idéia do seqüestro. Van Ryberg desconfiava de que os extremistas da Liga da Liberdade viessem há muito tempo fazendo pressão sobre Wainwright para que adotasse uma política mais ativa. Agora, tinham resolvido agir por conta própria.

O seqüestro fora muito bem organizado, isso ninguém podia contestar. Stormgren podia estar em qualquer ponto da Terra e parecia haver pouca esperança de descobrir onde. Contudo, algo tinha que ser feito, decidiu Van Ryberg, e depressa. Apesar de todas as caçoadas que fizera, ele tinha por Karellen um sentimento de temor e respeito. A idéia de ter que falar diretamente com o supervisor assustava-o, mas não parecia haver outra alternativa.

O Setor de Comunicações ocupava todo o andar superior do grande edifício. Fileiras de máquinas fac-símile, algumas silenciosas, outras trabalhando, perdiam-se na distância. Através delas passavam intermináveis dados estatísticos — números de produção, resultados de censos e toda a contabilidade de um sistema econômico mundial. Em algum lugar da nave de Karellen devia haver o equivalente daquela enorme sala — e Van Ryberg ficou pensando, com um arrepio na espinha, no tipo de formas que se movimentariam de um lado para outro, coletando as mensagens que a Terra enviava aos Senhores Supremos.



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