
Nos últimos três dias, Stormgren tivera oportunidade de fazer uma análise bastante acurada de seus captores. Joe era o único que tinha alguma importância. Os outros eram anônimos — a ralé que todos os movimentos ilegais costumam atrair. Os ideais da Liga da Liberdade nada significavam para eles: sua única preocupação era ganhar a vida com um mínimo de trabalho.
Joe era uma criatura bem mais complexa, embora por vezes parecesse a Stormgren um bebê gigante. Suas intermináveis partidas de pôquer eram pontilhadas de violentas discussões políticas e não demorou que Stormgren se apercebesse de que o enorme polonês jamais pensara seriamente nas causas pelas quais estava lutando. A emoção e o extremo conservadorismo obscureciam-lhe o pensamento. A longa luta que seu país travara pela independência condicionara-o de tal maneira, que ele ainda vivia no passado. Era uma espécie de sobrevivente, uma dessas pessoas que não sabem o que fazer com uma vida organizada. Quando o seu tipo desaparecesse, se é que alguma vez desapareceria, o mundo tornar-se-ia um lugar mais seguro mas muito menos interessante.
Já quase não havia dúvidas, no que dizia respeito a Stormgren, de que Karellen não conseguira localizá-lo. Tinha procurado blefar, mas não convencera seus captores. Estava quase certo de que o mantinham ali para ver se Karellen agiria, e agora, vendo que nada acontecera, podiam prosseguir com seus planos.
Stormgren não ficou espantado quando, quatro dias após sua captura, Joe lhe disse que esperasse visitas. Havia algum tempo que o grupo se mostrava cada vez mais nervoso, e o prisioneiro deduziu que os líderes do movimento, vendo que não havia mais perigo, viriam finalmente buscá-lo.
Já estavam à espera dele, reunidos ao redor da precária mesa, quando Joe o fez entrar na sala. Stormgren observou, divertido, que o seu carcereiro estava usando, de maneira ostensiva, uma enorme pistola, que antes nunca exibira. Os dois capangas tinham desaparecido e o próprio Joe parecia algo contido.
