Stormgren viu imediatamente que tinha agora diante dele homens de muito maior calibre e o grupo a sua frente lembrou-lhe uma foto que vira de Lênin e seus colaboradores, tirada nos primeiros dias da Revolução Russa. Havia a mesma força intelectual, a mesma determinação férrea, a mesma inexorabilidade naqueles seis homens. Joe e os da sua espécie eram inofensivos: ali estavam os cérebros ocultos da organização.

Com um breve aceno de cabeça, Stormgren dirigiu-se para a única cadeira vazia e procurou aparentar segurança. Ao se aproximar, o homem idoso e atarracado, sentado no outro extremo da mesa, inclinou-se para a frente e fixou nele os olhos cinzentos e penetrantes. Aquele olhar desconcertou de tal maneira Stormgren, que ele falou primeiro, coisa que não pretendia fazer.

— Suponho que tenham vindo discutir os termos de meu resgate. Quais são eles?

Reparou que, um pouco atrás, alguém anotava suas palavras num bloco de estenografia. Tudo muito comercial.

O líder replicou, num sotaque musical, que Stormgren identificou como sendo galês:

— Pode pôr as coisas assim, senhor secretário-geral, mas nós estamos interessados em informações, não em dinheiro.

Então é isso, pensou Stormgren. Ele era um prisioneiro de guerra e aquele era seu interrogatório.

— O senhor conhece nossos motivos — continuou o outro com sua voz suave. — Pode nos chamar um movimento de resistência, se quiser. Acreditamos que, mais cedo ou mais tarde, a Terra terá que lutar pela sua independência, mas compreendemos que essa luta só poderá utilizar métodos indiretos, como a sabotagem e a desobediência. O senhor foi seqüestrado em parte para mostrar a Karellen que não estamos brincando e somos bem organizados, mas principalmente porque o senhor é o único homem capaz de nos dizer algo sobre os Senhores Supremos. Sabemos que é um homem inteligente, Sr. Stormgren. Coopere conosco e terá de volta a liberdade.



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