
— O que, exatamente, desejam saber? — perguntou cautelosamente Stormgren.
Aqueles olhos extraordinários pareciam penetrar-lhe a mente. Stormgren nunca vira olhos iguais. A voz cantada respondeu:
— Saber quem, ou o quê, são os Senhores Supremos! Stormgren por pouco não sorriu.
— Creiam — disse ele — que estou tão curioso por descobrir isso quanto os senhores.
— Isso quer dizer que responderá a nossas perguntas?
— Não prometo nada. Talvez.
Joe deixou escapar um suspiro de alívio e um sussurro de antecipação perpassou a sala.
— Temos uma idéia geral — continuou o outro — das circunstâncias em que o senhor se encontra com Karellen. Mas gostaríamos que as descrevesse minuciosamente, sem deixar de lado nenhum pormenor importante.
Não havia nada de mal naquilo, pensou Stormgren. Já o tinha feito muitas vezes e daria a impressão de que estava cooperando. Estava em presença de intelectos aguçados e talvez eles pudessem revelar-lhe algo de novo. Apreciariam qualquer informação que pudessem tirar dele — desde que lhes fosse útil. Stormgren não acreditava que pudesse prejudicar Karellen.
Apalpou os bolsos e retirou um lápis e um velho envelope. Desenhando ao mesmo tempo que falava, principiou:
— Sabem, sem dúvida, que uma pequena máquina voadora, sem quaisquer meios visíveis de propulsão, vem me buscar a intervalos regulares e me leva à nave de Karellen. Penetra o casco; devem ter visto os filmes telescópícos que foram tomados dessa operação. A porta volta a se abrir — se se lhe pode chamar uma porta — e eu entro numa pe-
quena sala, com uma mesa, uma cadeira e uma tela. A disposição é mais ou menos a seguinte.
Empurrou o envelope para o velho galês, mas os estranhos olhos não se mexeram. Continuaram fixos no rosto de Stormgren: algo parecia ter mudado neles. Fizera-se silêncio na sala. Atrás de si, Stormgren ouvia Joe respirar forte.
