
Não houve resposta. O homem à sua frente não se mexeu nem falou. Ficou sentado, lábios entreabertos, os olhos sem visão agora também sem vida. A sua volta, os outros estavam igualmente imóveis, como que petrificados em atitudes estranhas. Com uma exclamação de horror, Stormgren pôs-se de pé e recuou em direção à porta. Nisso, o silêncio foi quebrado:
— Belo discurso, Rikki! Obrigado. Agora, acho que podemos ir.
Stormgren girou nos calcanhares e olhou para o corredor escurecido. Como que flutuando ao nível dos olhos, via-se uma pequena esfera — sem dúvida alguma, a fonte da misteriosa força que os Senhores Supremos tinham posto em ação. Era difícil dizer ao certo, mas Stormgren imaginou ouvir um leve zumbido, como o de uma colmeia num dia quente de verão.
— Karellen! Graças a Deus! Mas o que foi que você fez?
— Não se preocupe, eles estão bem. Pode-se dizer que estão paralisados, embora a coisa seja muito mais sutil do que isso. Estão simplesmente vivendo mil vezes mais lentamente do que o normal. Quando tivermos ido embora, eles nunca vão saber o que aconteceu.
— Vai deixá-los aqui, até a polícia chegar?
— Não. Tenho um plano muito melhor. Vou deixá-los sair.
Stormgren sentiu-se surpreendentemente aliviado. Deitou uma última olhadela para a pequena sala e seus petrificados ocupantes. Joe estava apoiado num só pé, olhando, estupidamente, para nada. De repente, Stormgren riu e enfiou a mão no bolso.
— Obrigado pela hospitalidade, Joe — disse. — Acho que vou deixar uma lembrança.
Passou em revista os pedaços de papel, até encontrar os números que procurava. Depois, numa folha razoavelmente limpa, escreveu com todo o cuidado:
«Banco de Manhattan
Pague a Joe a importância de cento e trinta e cinco dólares e cinqüenta cents (US$ 135.50).
