
— O que significa, se não me engano, que o vapor de água congelou, mas não o gás carbônico.
Stormgren fez o possível para não sorrir daquela piada mais do que velha.
— Acho que já lhe disse tudo — concluiu. — Quanto à máquina que me leva até a nave de Karellen, o compartimento em que viajo é parecido com o interior de um elevador. Se não fosse a poltrona e a mesa, podia ser um elevador.
Fez-se silêncio durante alguns minutos, enquanto o físico adornava seu bloco com meticulosos e microscópicos rabiscos. Olhando para ele, Stormgren não pôde deixar de pensar por que um homem como Duval — incomparavelmente mais brilhante, do ponto de vista intelectual, do que ele — nunca se projetara mais no mundo da ciência. Lembrou-se de um comentário venenoso e provavelmente injusto, feito por um amigo do Departamento de Estado norte-americano: «Os franceses produzem os melhores segundos lugares do mundo». Duval era o tipo de homem que exemplificava essa afirmação.
O físico balançou a cabeça, satisfeito, inclinou-se para a frente e apontou o lápis para Stormgren.
— O que o leva a pensar, Rikki — perguntou —, que a tela de visão de Karellen, como você a chama, é realmente o que parece ser?
— Sempre achei que fosse; é igualzinha a uma tela de televisor. Que mais poderia ser?
— Quando você diz que ela é igualzinha a uma tela de televisor, você sem dúvida quer dizer que é igualzinha às nossas, não?
— Claro.
— Acho isso, para começar, suspeito. Tenho a certeza de que os Senhores Supremos não usam nada tão grosseiro quanto uma tela de televisor: provavelmente, materializam as imagens diretamente no espaço. Mas por que razão Karellen se iria dar ao trabalho de utilizar um sistema de
TV? A solução mais simples é sempre a melhor. Não lhe parece mais provável que sua «tela de televisor» nada mais seja do que uma camada de vidro?
