Stormgren estava tão aborrecido consigo mesmo que ficou um momento calado, relembrando o passado. Desde o início, nunca desconfiara da história de Karellen — e, contudo, agora que olhava para trás, via que o supervisor nunca lhe dissera que utilizava um sistema de TV. Ele simplesmente partira desse princípio. Tudo não passara de uma ilusão psicológica e ele fora completamente ludibriado. Supondo-se, naturalmente, que a teoria de Duval fosse correta. Mas lá estava ele, de novo, tirando conclusões apressadas: ninguém até ali conseguira provar nada.

— Se você estiver certo — disse ele —, tudo o que tenho a fazer é quebrar o vidro…

Duval suspirou.

— Esses leigos! Você acha que a tal tela é feita de um material que se possa arrebentar sem explosivos? E, mesmo que você conseguisse, acha que Karellen respira o mesmo ar que nós? Não seria ótimo, para ambos, se ele vicejasse numa atmosfera de cloro?

Stormgren sentiu-se um verdadeiro imbecil. Devia ter pensado nisso.

— Bem, que é que você sugere? — perguntou algo exasperado.

— Quero pensar bem na coisa. Em primeiro lugar, temos que saber se minha teoria é correta e, se estiver, ter idéia do material de que é feita essa tela. Vou encarregar dois de meus homens disso. A propósito, imagino que você carregue uma pasta, quando se encontra com o supervisor, não? É essa mesma que você tem aqui?

— É.

— Acho que é suficientemente grande. Não queremos chamar a atenção, substituindo-a por outra, principalmente se Karellen já se acostumou a vê-la.

— Que é que você quer que eu faça? — perguntou Stormgren. — Que carregue um aparelho de raios X escondido?

O físico riu.

— Ainda não sei, mas vamos pensar em algo. Daqui a quinze dias vou poder lhe dizer.

Deu uma risadinha.

— Sabe o que me recorda tudo isso?

— Sei — respondeu Stormgren. — Da vez em que você construiu aparelhos de rádio clandestinos, durante a ocupação alemã.



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