— Para a humanidade, talvez, mas não para Karellen

— replicou Stormgren. Só agora começava a se dar conta da inteligência da solução dos Senhores Supremos. Tinham-lhes dado a esperança de que eles precisavam e, ao mesmo tempo, desarmado a Liga da Liberdade. Stormgren não imaginava que a liga capitulasse, mas sua posição ficaria seriamente enfraquecida. Sem dúvida Wainwright também compreendia isso.

— Daqui a cinqüenta anos — disse ele amargamente — o mal já estará feito. Os que poderiam lembrar-se de nossa independência estarão mortos: a humanidade terá esquecido sua herança.

Palavras… palavras vazias, pensou Stormgren. As palavras pelas quais os homens tinham outrora lutado e morrido e pelas quais nunca mais morreriam ou lutariam. E o mundo lucraria com isso.

Vendo Wainwright partir, Stormgren ficou pensando quantos problemas mais a Liga da Liberdade ainda causaria nos anos vindouros. Mas isso, pensou, aliviado, cairia sobre os ombros de seu sucessor.

Havia outras coisas mais que só o tempo curaria. Homens perversos podiam ser destruídos, mas nada podia ser feito com homens bons, que estivessem desiludidos.

— Aqui está sua pasta — disse Duval. — Como nova.

— Obrigado — retrucou Stormgren, inspecionando-a, não obstante, cuidadosamente. — Agora, que tal você me dizer do que se trata e o que vamos fazer a seguir?

O físico parecia mais interessado em seus próprios pensamentos.

— O que não posso entender — disse ele — é a facilidade com que nos saímos. Se eu fosse Kar…

— Mas você não é. Vamos ao que interessa, homem. Que foi que descobrimos?

— Ah, meu Deus, essas raças nórdicas, sempre tensas e excitáveis! — suspirou Duval. — Conseguimos bolar um tipo de radar de baixa potência. Além de ondas de rádio de freqüência muito alta, utiliza ondas infravermelhas, todas elas ondas que temos certeza de que nenhuma criatura poderia ver, por mais fantástica que fosse sua visão.



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