
— Admito — disse Van Ryberg — que algumas de minhas teorias não tenham resultado muito corretas. Mas diga-me o que você pensa desta.
— Preciso dizer? — suspirou Stormgren. Pieter pareceu não ter ligado.
— Na verdade, a idéia não é minha — disse ele, mo- desto. — Tirei-a de uma história de Chesterton. Suponha que os Senhores Supremos estejam escondendo o fato de não terem nada a esconder?
— Isso me parece um pouco complicado — disse Stormgren, começando a interessar-se.
— O que eu quero dizer é o seguinte — continuou Van Ryberg, ansiosamente. — Eu acho que, fisicamente, eles são seres humanos como nós. Compreendem que nós toleramos ser governados por criaturas que imaginamos serem estranhas e superinteligentes. Mas, sendo a raça humana o que é, não toleraria ser mandada por criaturas da mesma espécie.
— Muito engenhoso, como todas as suas teorias — disse Stormgren. — Você deveria pôr-lhes números, para que eu pudesse identificá-las. As objeções que tenho a fazer a essa… — nesse momento, Alexander Wainwright entrou na sala.
Stormgren perguntou a si mesmo o que ele estaria pensando. Perguntou-se também se Wainwright teria estabelecido algum contato com os homens que o haviam seqüestrado. Duvidava disso, pois acreditava que Wainwright era sincero quando se manifestava contra a violência. Os extremistas de seu movimento tinham ficado completamente desacreditados e muito tempo se passaria antes que se ouvisse falar neles.
O líder da Liga da Liberdade ouviu com atenção, enquanto lhe liam a minuta. Stormgren esperava que ele apreciasse esse gesto, que tinha sido idéia de Karellen. Só dali a doze horas o resto do mundo saberia da promessa que fora feita a seus netos.
— Cinqüenta anos — disse Wainwright, pensativo. — É uma espera muito longa.
