O secretário-geral das Nações Unidas estava imóvel junto à grande janela, olhando para o trânsito engarrafado da Rua 43. Às vezes, ficava pensando se seria bom para um homem trabalhar tão mais alto que os demais seres humanos. Manter distância era ótimo, mas podia-se descambar facilmente para a indiferença. Ou estaria ele apenas tentando racionalizar a raiva que sentia dos arranha-céus, raiva que persistia, mesmo após vinte anos de Nova York?

Ouviu a porta abrir-se atrás dele, mas não se virou quando Pieter van Ryberg entrou na sala. Houve a inevitável pausa, durante a qual Pieter olhou, com desaprovação, para o termostato, pois todo mundo dizia, brincando, que o secretário-geral gostava de viver numa geladeira. Stormgren esperou que o assistente viesse ter com ele e só então afastou o olhar do panorama familiar, mas sempre fascinante, que se avistava da janela.

— Estão atrasados — disse. — Wainwright deveria ter chegado há cinco minutos.

— Acabei de falar com a polícia. Ele traz uma grande comitiva e o trânsito ficou engarrafado. Deve chegar a qualquer momento.

Van Ryberg fez uma pausa e depois acrescentou, abruptamente: — Continua achando que é boa idéia falar com ele?

— Receio que seja um pouco tarde para recuar. Afinal de contas, concordei, embora você saiba que a idéia não partiu de mim.

Stormgren fora até sua mesa e brincava com seu famoso, peso de papéis de urânio. Não estava nervoso — apenas indeciso. Também estava satisfeito de que Wainwright se tivesse atrasado, pois isso lhe daria uma ligeira vantagem moral, quando se iniciasse a entrevista. Trivialidades desse tipo desempenhavam um papel mais importante nas relações humanas do que a lógica e a razão poderiam desejar.

— Aí estão eles! — disse, de repente, Van Ryberg, encostando o rosto na vidraça. — Estão vindo pela avenida. Acho que são uns três mil!

Stormgren pegou o caderno de notas e colocou-se ao lado de seu assistente.



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